SEMENTES ANCESTRAIS

Autores

Taíza Nunes dos Santos
Tânia Maria de Andrade
Valmira Perucchi

Sinopse

Esta obra foi elaborada, como uma ferramenta de reflexão e conscientização. Este livro nasce do ventre fértil da Terra, geradora de vidas e guardiãs de sonhos, Terra que gera e nutre as sementes em seu interior, com o sopro dos ventos que transportam histórias e narrativas, das mãos que, com paciência, resistência e fé, cultivam o alimento e a memória. Foi elaborado com o propósito de refletir sobre a relação profunda entre a ancestralidade das sementes, a segurança alimentar e o papel fundamental desempenhado pelos bancos comunitários de sementes.

Ao refletir sobre a ancestralidade das sementes, somos convidadas a revisitar os fundamentos da vida: o poder sagrado do que germina, cresce e se transforma. As sementes, como seres de memória, carregam consigo a sabedoria dos povos que as protegem desde os primeiros tempos. São, ao mesmo tempo, alimento do corpo, do espírito e da terra.

A obra parte da compreensão de que a semente é muito mais do que um insumo agrícola: ela é portadora de memória, de saúde e de identidade cultural de povos que habitam na terra há muito tempo. Em seu interior repousa a força criadora que sustenta os ciclos da vida e conecta as gerações por meio da terra e do alimento.

Vivemos em um tempo em que o sistema capitalista e colonial impôs uma ruptura profunda nesse ciclo sagrado, convertendo o alimento em mercadoria e o plantio em negócio. A pressa substituiu o cuidado, e a lógica do lucro silenciou os cânticos que acompanhavam as colheitas. No entanto, em cada comunidade que resiste e guarda suas sementes crioulas, há um gesto de cura, um ato político e espiritual de recomposição da vida.

Nos bancos comunitários de sementes, como o nosso, conectamos com a força ancestral que nos sustenta. Cada semente ali guardada representa um elo vivo entre passado, o presente e futuro, um testemunho da resistência dos povos da Terra, negros, indígenas, quilombolas, camponeses que compreenderam, há muito, que “tudo começa pela semente”, como nos lembra Nequinho, um dos mestres guardião

 

das sementes da paixão no município de Alagoa Nova - PB. Os bancos de sementes foram criados para apoiar e fortalecer a rede de articulação e organização dos trabalhadores da agricultura sob a perspectiva da produção e oferta de alimentos promotores da segurança alimentar. Ressaltamos aqui o valor dessa perspectiva, pois ela transcende o nível local e avança para alcançar o maior número de pessoas possível, e torna-se uma filosofia de vida compartilhada.

Restabelecer essa conexão com a terra e com o sagrado, representa um movimento de contra-colonização do pensamento. Que há muito tempo está sujeito a lógica do capital colônia. É fundamental entender e reconhecer que a segurança alimentar vai além de simplesmente garantir comida na mesa, ela envolve o respeito à vida em todas as suas formas, bem como o direito de plantar, cultivar, preservar e compartilhar. É necessário compreender que o ciclo da semente é o mesmo que vibra nas estrelas e nos corpos que nascem, que vivem e se transformam.

Esse livro “sementes ancestrais”, nos inspira a observar a Terra e seus ciclos de maneira mais abrangente, integrando aspectos da dimensão cultural, espiritual e ecológica. Isso porque para garantir a segurança alimentar, é preciso garantir o direito de cultivar e colher respeitando à terra, transmitir saberes e conhecimentos entre gerações e viver em sintonia com os ciclos da natureza.

Inspiradas pelas vozes que ecoam do território e pelas reflexões de pensadores e filósofos como Nego Bispo, Ailton Krenak, Vandana Shiva, Adriana Guzmán, Julieta Paredes, Davi Kopenawa, este livro sugere um retorno às raízes, e reencontro com a força criadora que habita em nós e na natureza. Que possamos cultivar a consciência, nutrir esperanças e florescer em atitudes que reforcem nossa soberania alimentar e espiritual. Pois zelar pelas sementes, é zelar pela vida e reconhecer a presença viva de nossos ancestrais em cada broto que germina.

Que este trabalho funcione como ferramenta para fortalecer as iniciativas comunitárias, incentivar à preservação das sementes crioulas e reafirmar a autonomia dos povos indígenas sobre seus territórios e modos de vida. Que sirva de inspiração para nossos leitores que anelam a qualidade da vida a partir da alimentação consciente!

Capa para SEMENTES ANCESTRAIS
Publicado
April 23, 2026
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